A história da massagem

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A massagem é algo mais que um simples gesto ou conjunto de manobras terapêuticas manuais, é uma forma excepcional de se comunicar sem palavras e de transmitir através das mãos sensações agradáveis, prazenteiras, energias curativas e relaxamento psicofísico.

Miguel García Arroyo

Ao princípio a palavra se associou ao exercício. Le Gentil a utilizou pela primeira vez no século XVIII (ano 1799) em sua “obra” médica. É provável que qualquer um dos vocábulos mencionados no quadro da página seguinte seja o que deu lugar à palavra francesa amasser (amassar, massagear), mas referindo-se já em concreto aos exercícios manuais de uma pessoa (terapeuta) sobre outra (paciente), em clara referência aos exercícios de amassar a pele com suavidade.

Trata-se de uma série de atuações e movimentos das mãos do terapeuta sobre a superfície corporal do paciente com fins terapêuticos e calmantes. Movimentos mais ou menos intensos, rítmicos e profundos, com finalidades fundamentalmente analgésicas, relaxantes e sedativas.

Expressando em termos mais científicos, poder-se-ia definir a massagem como: “A ação de suprimir ou diminuir a sensibilidade dolorosa por meio de ações manuais sobre a sensibilidade superficial (corpúsculos de Meissner) e a sensibilidade profunda (corpúsculo de Golgi e Paccini)”.

No princípio a massagem estava mais ligada a higiene corporal. Posteriormente se situou em um plano mais terapêutico (similar à atual).

História das massagens

O livro de Kong Fou, dos budistas, discípulos de Lao Tsé, possui as primeiras recomendações práticas conhecidas e indicações da massagem e do exercício respiratório com fins terapêuticos. O livro leva o título “O Kong Fou de Lao Tsé”. O mítico HOUNG-TI ou “O Imperador Amarelo” escreveu o Nei King, tratado de Medicina Interna ou “Doutrina do Interior”. O livro, escrito em forma de perguntas e respostas entre o imperador e seu primeiro médico e ministro CH’I-PO, abriga todos os campos da medicina. Está dividido em duas partes: ELOSU-WEN (fisiologia, patologia e higiene) e o LING-CHOU, que trata dos meridianos, acupuntura, sangria e massagem.

O AYUR-VEDA (“Ciência da vida”, 1800-1500 a.C.) da INDIA, com fins curativos, dentro de um amplo contexto de normas dedicadas à Medicina, trata as zonas dolorosas com fricções.

Em algumas tumbas egípcias, pertencentes a famosos médicos faraônicos, foram encontrados desenhos que representam diversas cenas terapêuticas, dentre elas exercícios de massagens.

Hipócrates de Cos, pai da Medicina (460-380 a.C.), se refere a diversas atuações sobre a pele, músculos e vísceras que atenuam a dor corporal e facilitam certas ações fisiológicas, manipulando e friccionando os tecidos. Sugere movimentos no sentido ascendente, até o coração.

Nas grandes termas romanas, havia estâncias distantes onde se praticavam técnicas de massagem por meio de azeite de oliva e diversas substâncias e ungüentos. Eram administradas pelos traclatores, massagistas provavelmente precursores de nossos atuais fisioterapeutas.

Galeno, nascido em Pérgamo (129-199 d.C.), que exercia a medicina em Roma, chegou a ser médico do Imperador Marco Aurélio e contribuiu de forma notória para importantes avanços do saber médico na época. Infelizmente muitos de seus escritos se perderam, mas seus conhecimentos seguiram vigentes durante toda a Idade Média e inclusive na Idade Moderna. Galeno utilizava a massagem para favorecer e relaxar a musculatura dos gladiadores. Em uma de suas obras escritas, de título Gimnastica, estabelece diversas normas, com noções claras e concisas, sobre exercícios de massagem e o exercício com fins curativos. Seu avançado estudo da massagem (nos poucos livros que dele se conservaram) o levou a realizar várias classificações qualitativas e quantitativas. Não obstante, naquela época a massagem era realizada com azeites e essências. Acreditava-se que os efeitos terapêuticos se deviam a essas substâncias, aos exercícios físicos e aos movimentos manuais.

Na Idade Média, com o predomínio do Cristianismo, as técnicas de massagens entraram em decadência como conseqüência das transformações de mentalidade próprias da época, ao considerar estes e outros contatos corporais como pecaminosos. Isso trouxe como conseqüência um atraso nos avanços científicos, especialmente na Medicina.

No Renascimento (final do século XV, princípio do XVI), surge a preocupação das pessoas em revisar os tratados antigos. Como conseqüência dessa tendência, diversos autores revisaram aquelas técnicas duvidosas e esquecidas que utilizaram os clássicos gregos e romanos, dentre elas a massagem e a ginástica, como medidas curativas de diversas enfermidades e do fortalecimento corporal.

O termo ou palavra massagem, todavia, não se introduziu definitivamente na maioria das línguas indo-européias até o século XIX. No princípio, era chamado exercício passivo, manipulações terapêuticas, mecanoterapia manual. No Journal de Paris do dia 6 de maio de 1785, o Sr. Albert elogiava as técnicas de banhos medicinais e admitia le masser, que consistia em “amassar as carnes com suavidade”.

Dessa forma, chega-se ao princípio do século XIX com a figura mais destacada e que definitivamente consegue o reconhecimento científico da Cinesiterapia e a massagem. Trata-se do sueco Peter Herink Ling. Apesar de Ling não ter sido muito prolífero escrevendo, o foram seus numerosos discípulos.

É importante ressaltar que os trabalhos e aportes de Ling foram realizados devido a uma longa viagem pela China, país em que conheceu vários métodos de massagem. Desde meados do século XX, têm surgido as escolas de quiromassagem, impulsionadas por seu primeiro criador na Espanha, Dr. Vicente Lino Ferrándiz (1893-1981), médico naturista.

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